Iguais e diferentes, plenamente cidadãs

Por onde devemos começar a tratar da discriminação? Como vamos encarar o fato de que conseguimos construir uma base de luta das mulheres dentro do PT que é mais voltada à sociedade, mas que não conseguimos tratar do assunto dentro do Partido? Somos aceitas como conquistadoras ou como necessárias?

As mulheres têm tido grandes avanços, principalmente, nas políticas públicas, movimentos sociais e política partidária. Conseguimos levar à população os ideais de igualdade e de respeito. Mesmo que muit@s não aceitem, tod@s sabem que este é um tema presente e importante.

No entanto jamais conseguiremos alcançar nossa cidadania se continuarmos a ter companheiros e, muitas vezes, companheiras que menosprezam a importância de nossa luta e continuam a reproduzir o sistema machista que submete “subliminarmente” qualquer mulher que tenha destaque, a competir sempre em desvantagem com companheiros do Partido, para conquistar vagas a cargos eletivos ou executivos.

O peso da responsabilidade que recai sobre nós faz com que repensemos nossas ações e formas de atuação política. Devemos então, mais que garantir o respeito à cota, fazer com que o debate ocorra em todos os níveis de atuação. Incluir temáticas como a questão de gênero, combate ao racismo, juventude, entre outros, na formação política faz-se mais que urgente.

Fazer com que a totalidade d@s filiad@s e simpatizantes incorpore estas temáticas como essenciais à sobrevivência do PT, é nossa obrigação. Não podemos aceitar mais que o debate seja fracionado e nem queremos que estes debates sejam priorizados, mas que caminhem lado a lado e de forma integrada com outras temáticas. Que sejam incorporados ao nosso cotidiano partidário.

Estabelecer um poder de construção e não de mando é extremamente necessário para conquistar. Isto pode parecer simples quando olhamos para a nossa história partidária. Afinal construímos o coletivo envolvendo todos os setores da sociedade. Pela primeira vez na história do Brasil conseguimos unir movimentos sociais clássicos como os estudantes, acadêmicos e intelectuais, aos movimentos populares na busca de uma relação menos discriminatória.

Esta aproximação desenvolveu uma nova forma de fazer política com integração e soma das diferenças para compor a unicidade. Essa nova formatação é recente e ainda não tem um nome definido, mas com certeza deve ser analisada como tal e trabalhada de tal forma que não fique estagnada e que sua construção seja dinâmica e ampliada.

Devemos exercer nossa cidadania estabelecendo que nossa teoria deve ser praticada, não somente nas lutas sociais. A prática mais urgente do que pensamos deve ser tratada internamente com nossos companheiros petistas em processo de formação política contínua e transversal que atenda a todas as demandas político-partidárias internas.

Queremos igualdade sim, mas no sentido de oportunidade, de acessibilidade e de respeito. Somos diferentes e nos orgulhamos das diferenças, porém somos diferentes no sentido de que somos plurais. Por isso dizemos: Iguais e diferentes, plenamente cidadãs.

Lorena Pires Rostirolla é Membro do Coletivo Estadual de Mulheres do PT

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