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Lula volta a defender biocombustível e culpa petróleo por alta nos alimentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta segunda-feira (21), em seu programa semanal de rádio "Café com o presidente", declarações contrárias à produção de biocombustíveis como o etanol e repetiu o tom do discurso que fez no domingo (20) em Acra, capital de Gana, durante a inauguração de um escritório da Embrapa no país africano, cobrando uma análise do impacto do aumento do barril de petróleo no custo mundial da produção de alimentos.

"É importante também a gente alertar para os efeitos do aumento do petróleo, o aumento do petróleo encarece o transporte, o aumento do petróleo encarece a produção de fertilizante e tudo fica mais caro. Portanto, nós não aceitamos que haja meia conversa sobre a questão do aumento dos alimentos", afirmou Lula no programa desta manhã.

A fala do presidente teve, mais uma vez, tom de resposta às críticas do relator especial da ONU para o direito ao alimento, o suíço Jean Ziegler, que atacou a produção de biocombustíveis, ao afirmar em entrevista ao jornal austríaco Kurier am Sonntag que o custo desta produção traria "terror" ao mundo e que a inflação do preço dos alimentos seria algo como um "silencioso assassinato em massa".

Para Lula, a pressão recém-surgida sobre o etanol tem origem na competição internacional pelo mercado de produtos agrícolas e que a polêmica deve continuar.

"É uma polêmica que vai acontecer porque o Brasil não é mais coadjuvante, ou seja, o Brasil é o maior exportador de café, o maior exportador de soja, o maior exportador de suco de laranja, o maior exportador de açúcar, o maior exportador de carne e agora o Brasil é um dos maiores exportadores de minério. E agora o Brasil está exportando etanol", afirmou o presidente.

Rodada Doha

Lula também saiu em defesa das negociações dos acordos da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial de Comércio) e criticou os subsídios agrícolas praticados por Estados Unidos e União Européia.
"Eu chamei atenção para a Rodada de Doha, para o acordo da OMC [Organização Mundial do Comércio], aonde os países ricos precisam flexibilizar no preço dos produtos agrícolas para incentivar os países mais pobres a plantarem e exportarem para eles", disse.
Ele citou ainda conversa com o secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-Moon, durante a abertura da reunião especial da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ontem, sobre o auxílio a países devastados por conflitos internos.
"Tive um encontro com o secretário-geral da ONU, onde pedi para ele que a ONU assuma a responsabilidade de encabeçar com mais força a ajuda ao Haiti, a ajuda a Guiné-Bissau e a ajuda a outros países que estão em área de conflitos, países muito pobres", afirmou Lula.

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